7 de fevereiro de 2007

Sai pra lá!

Antes que o circo pegue fogo, lá de longe, o cheiro de fumaça apita no nariz dos sensíveis

Certa vez, pouco antes de completar seis anos de idade, minha mãe me falou que não era boa coisa agir sem sinceridade com as pessoas, sobretudo com os amigos. Me ensinou também que para ser feliz nessa vida é preciso cuidar do próximo, estabelecer relações saudáveis com as pessoas que estão ao nosso redor, além de banir da alma a prática de atitudes medíocres. Semear a paz, cultivar o amor. É que para cada ato mau pensado, há-de vir uma resposta incisiva e sem recompensa.

Ora, a vida de quem não ama é vazia. A vida de quem jamais foi amado é amarga. O descontrole de quem ama por obcessão fere mais que uma arma. O amor viciado beira a morte. Perigo mesmo é quando se ama por submissão. Ai perde-se a noção de tudo. O mundo vira ao avesso e os referenciais que levam à dignidade são abolidos. Optar pelo certo ou pelo errado já não convence mais já que a única coisa que satisfaz é obcessão por ter.

Fuder com a vida de alguém é perda de tempo. Não adianta pisar hoje porque certamente lá na frente há-de retornar com a mesma intensidade. Não é mau agoro. É a lei cósmica de causa e efeito. A física explica.

6 de fevereiro de 2007

Pensamento

A vida dá rasteira em meninas más

Dádiva

Morenos: 1, 2, 3...

5 de fevereiro de 2007

2 de fevereiro

Rio Vermelho, assim que amanheceu.

2 de fevereiro de 2007

Marisa Monte






















Semana passada, no Red River.
A artista mais educada que já fotografei.

Ben Harper

Algumas pautas são de doer o estômago. Nessa de viver infiltrada em duas indentidades - ora como fotógrafa, ora como repórter tenho notado algumas diferenças cruciais nas duas atuações. É que repórter se perder a cena pode pescar tudo do coleguinha que estiver do lado. Mas e o fotógrafo? Se perder a cena, faz o quê???
Ben Harper no aeroporto, por exemplo. Dribla engarrafamento, corre pra lá, volta pra cá, pergunta a um, a outro. Ninguém responde. Ninguém viu, ninguém sabe. Vôo? Horário? A única certeza era o local de embarque: Rio de Janeiro. Pergunto a Infraero: nada. A faxineira: nada. Procuro coleguinhas de outras mídias: nem sinal. Apelo pra central de atendimento: balcão às moscas. Só resta pensar: putz, me ferrei! Daí a redação começa a ligar a cada cinco minutos: cadê o cara? Como não chegou? Dê um jeito ai. Temos um buraco na primeira página. Acho bom você arranjar logo uma foto desse surfista. Parêntese: a duas horas do fechamento da edição, o termo "acho bom você dar um jeito" é uma forma educada de dizer: se você não conseguir, sua cabeça vai rolar. Nem se engane que o eufemismo não é nem de longe um conselho e sim uma ordem que deve ser executada. Nesse momento, após encarar duas noitadas internada no Festival de Verão (lembrando que ainda restavam outras duas), a base de junkie food e deadlines sufocantes pra cumprir, é praticamente inevitável não bater a famosa caruara. A cada pico de nervoso, o estômago apitava. Até que sem esperar, ouço um sussuro no pé de ouvido: "Oi. Cê tá atrás do Ben? Uma amiga minha tá no mesmo vôo que ele. Era pra chegar às 20h, mas vai atrasar mais de uma hora", despacha um sujeito anônimo. Será?, penso. E antes mesmo de rebater com uma outra pergunta o sujeito some entre os passageiros. Espero, espero, espero... e nada! Até que na escala de vôos aparece um vôo da Gol vindo do RJ. É minha última chance só pode ser esse, falo pra mim mesma. Desce cachorro, gato, papagaio, piriquito... olho ao redor: ué? Cadê a tv Bahia??? Ai ai aiiiii... é zebra. A tv Bahia deve tá fazendo exclusiva com a cara lá nos fundos, onde só eles têm acesso, que nem na vez do U2, especulo na paranóia de a essa hora já ter levado um puta furo. Mas... que jeito! Tô aqui, vou até o fim só pra ver quem foi o infeliz que fez a bendita imagem que, de alguma forma, vale o meu emprego [foda!]. O segurança dá uma brecha, daí eu passo de fininho pro setor das malas. De lá, fico abaixadinha, bem na espreita, esperando o cara que não vem nunca. E, de repente, como uma luz que aponta no fim do túnel, vejo um morenaço, de chapeuzinho de couro. POr causa das tatuagens a mostra, imposível de confundir. Aponto a máquina e disparo uma seqüência de cliques até ser barrada pelo produtor: quem deixou essa pessoa entrar aqui? Tenho contrato exclusivo com a Rede Globo, não pode. Gesticulou aos berros. Mas antes que qualquer segurança me puxasse a força, Ben Harper, o cara que tanto esperei chegar, veio saber o que estava acontecendo. E, para minha surpresa, o cantor-surfista [autor de um som que eu me amarro horrores], gentilmente permitiu que as imagens fossem feitas. Daí já tinha até berimbau no saguão de desembarque pra receber o rapaz. Fotos, fotos, fotos, muitas fotos. Um cartão inteiro só dele e sem concorrentes por perto. De recompensa, um singelo "ok" da redação acompanhado de uma puta dor de estômago que só cessou depois da coletiva com D2 horas depois no Parque de Exposições.
Fotos a parte, talvez esse seja o tipo de pauta que mais pira minha cabeça. Ao contrário do que muitos pensam, é constrangedor sim [e muito!] enfiar a lente na cara de uma pessoa sem a prévia permissão. E quando a pauta surge na redação a primeira coisa que penso é: não dá pra ser outro fotógrafo, não?!?!
A questão é que esse constragimento dura pouco mais de um segundo. Tempo suficiente para Tássia, versão fotógrafa [aquela que aparece sempre que a máquina está em punho], tomar o espaço de Tássia, aquela que é apenas um hiato crescente acentuado na primeira sílaba, aquela que não dispensa uma praia com os amigos nem uma partida de sinuca nem uma boa cerveja gelada. Essa versão [original] se contentaria em assistir o show espremidinha ao lado de outros milhares de fãs com a diferença que no dia seguinte seguinte já teria passado pro iPod o set list do show pra ir ouvindo a caminho do trampo.
POis... acreditem... fotografar, pra mim, chegar ser um estado de espírito além da realidade que ocupo como mera cidadã. O foco principal é o compromisso de fazer. Mas isso é um outro assunto [longo, diga-se de passagem] e merece ser discutido em um outro post.
É isso, curtam aí, Ben Harper exclusivo pra vocês.



27 de janeiro de 2007

Festival de Verão (4)


Tenda eletrônica

23 de janeiro de 2007

22 de janeiro de 2007

Terminal

Estação da Lapa. Hoje, antes do protesto contra o aumento da tarifa de ônibus.

19 de janeiro de 2007

Dose dupla

Pra desbaratinar do trampo insano, Toquinho e um violão com direito a Cau Gomez no foyer do TCA.

17 de janeiro de 2007

O que há, João?

Como moradora e amante de Salvador, tenho queixas a fazer sobre o estado de conservação da cidade e prestação de serviços aos turistas em pleno verão.

As barracas de praia continuam inacabadas;
Estacionar na orla tá cada dia pior: difícil e inseguro;
O elevador Lacerda tá que nem as escadas da Lapa: pára toda semana;
A tarifa de ônibus prestes a aumentar;
O síteo arqueológico da Praça da Sé carece de faxina urgentemente;
Alguém tem que dizer aos ambulantes do Centro Histórico que não é necessário pular em cima dos turistas;
Câmbio negro no porto de Salvador;
Panfletagem primária da Emtursa com informações que subestimam a inteligência dos turistas;
Amaralina sem quiosque das baianas;
Praia do Flamengo com engarrafamento quilométrico aos domingos;

15 de janeiro de 2007

Fotógrafos :: at work

Eu, a própria.
Margarida Neide, a Margot!!! Meu alicerce na fotografia. Às 8h, na Conceição da Praia

Thiago Fernandes, Thi!!! Na Praça da Sé desde 5h50 fazendo dupla comigo.

Haroldo Abrandes, às 6h, no Memorial das Baianas

9 de janeiro de 2007

Mulher parideira

Eliete. Aos 40 anos, mãe de oito filhos e avó de uma criança de dois anos. Não satisfeita, deu à luz a trigêmeos. Mais detalhes na 1ª págia de A Tarde de hoje.

8 de janeiro de 2007

Que assim seja!

Restam apenas 17 minutos. Daqui a pouco o domingo se apaga e entra em cena a tranqueira cotidiana, dia mais conhecido como segunda-feira. E é exatamente assim que a semana começa. Contorcionismo para cumprir todo tipo de deadline.
P.s.: Essas duas gracinhas aí, craques em assobiar e chupar cana, fazem parte do seleto staff do Cirque du Soleil. Cena do espetáculo "Alegria".

Imperdível

Pauta

Um corpo misteriosamente esticado no chão é o suficiente para saculejar o domingão na redação. Família desnorteada, repórteres alvoraçados. Morte consumada: uns choram, outros elaboram. Após permanecer por quatro horas em pé na porta de um prédio juntando hipóteses e suposições soltas aos caquinhos, a base de uma esfira com coca-cola gentilmente comprada pelo motorista do bonde, bate aquele questionamento: algum dia quis ser Capote? Pirações a parte, prefiro Talese.

  • Leia matéria na íntegra.
  • 5 de janeiro de 2007

    2007

    Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso Tempo tempo tempo tempo Quando o tempo for propício Tempo tempo tempo tempo De modo que o meu espírito ganhe um brilho definido Tempo tempo tempo tempo E eu espalhe benefícios Tempo tempo tempo tempo O que usaremos pra isso fica guardado em sigilo Tempo tempo tempo tempo Apenas contigo e comigo Tempo tempo tempo tempo
    (Caetano Veloso)