26 de maio de 2007

Refém da chuva

Lá fora chove. Muito. As ruas devem estar alagadas e a essa hora a Codesal já deve ter recebido umas 500 ligações de desabrigados direto das encostas que desabaram. Ontem de noite cheguei em casa encharcada. Dormi com o barulho da chuva, estava tão cansada. Soube que na Chapada essa madrugada deu 13ºC. Ui, o frio da Chapada é de doer o osso. Tenho uma teoria [furada, eu sei] que onde tem pedra e rocha, o frio é mais frio. Junta o frio do tempo com o frio que sai da pedra, fica frio-frio, entende? Não sei se o frio se propraga nos elementos da natureza e nos objetos que nem o calor, mas tenho impressão que a rocha é condutor de frio, assim como é de calor. Tenho que perguntar a meu pai, o físico. Acho que tá nevando na terra da Pró, lá em Santa Maria, no Sul. Mas ela disse que ontem fez sol, nada de chuva, embora muito frio. Jequié esfriou também... uns 20ºC. Imagina, um refresco na terra do sol. E eu aqui, de folga, entediada. Não gosto de chuva. Queria ir pra rua, passear. Alguns vão dizer: - ué, o qué qui tem? Você é de açúcar? Não vai pra rua só porque tá chovendo? É, querido. Só por isso. Não sou de açúcar, mas o trânsito deve tá uma merda, não tem nada pra mim lá fora. - Então vai ler um livro, toma um cafezinho quente pra animar. Eu não gosto de café e livro eu leio toda hora, em qualquer lugar, não preciso de chuva pra me concentrar. [Mania chata de relacionar livro com chuva. Livro é sem hora, chuva é tédio]. Hoje é minha folga, dia de desopilar, ir pra rua, passear. - Ah, então tá reclamando porque não tem um namorado pra curtir a chuva debaixo do edredon vendo filminho e comendo pipoca bem juntinho. Porra, que saco! Não é isso não, querido. Tô reclamando porque queria ir pra rua, ver a cor do dia sem me molhar, ver gente, passear com o cachorro, andar de patins, tomar um banho de mar. E com essa chuva, fora de casa, só resta shopping center. [Eca, não vou nem comentar!] Esse negócio de passar o dia, dentro de quatro paredes, a dois, é chuva, embora cama não seja tédio. Perdoe-me, meu affair querido, não é nada contra você, aliás, sou 100% você, mas eu queria ir lá fora, assim, com você. Eu, você e o mundo, mundo mundo vasto mundo. Você que não se chama Raimundo sabe bem o que digo. E tem mais: olha, namorado é um termo muito antiquado. As relações mudaram, o referencial é a globalização. Namorado é Guerra Fria, o muro caiu faz tempo... Melhor abrir a mente, não apenas pra não sofrer, como receita Gusma, mas sobretudo para viver. Atualize-se, vá ler Bauman em o Amor Líquido. Mulheres são Bonecas Russas. Pelo menos eu sou. E gosto muito de ser.

6 comentários:

Denis disse...

Tu tá ficando adulta. Às vezes, adulta demais. Aquilo que eu já fui e já deixei de ser.
Caminho do meio fófi: pega um guarda chuva ... imenso ... bota o bofinho debaixo e dentro ... e vai vendo o que existe pra ser visto.
Caso necessário, use óculos escuros. Tua fã. [e sócia né?]

Anônimo disse...

A Carminha tem razão. A gente adultece para depois desadultecer. Chuva também é brincar de pular na poça, deixar a roupa colar no corpo enquanto a água lava a alma. É ver a sarjeta transformada num rio de água limpa e corrente...tem tanta coisa em dia de chuva em terra sem frio. Te convido para um chá daqueles nossos, lembra? Bauman dá angústia e bonecas russas têm TPM sim. bjbj

tássia disse...

Vocês duas são muito gentis. Cheias de palavras bem colocadas,mas eu entendi: chatisse. pessoa ranheta. hehehe. Até que sou espertinha :D

Beijos nas duas, saudades das duas!

Anônimo disse...

Nananinanão.... Ranheta eu sou agora! Mas também... sou gorda né?

Fábio Bito Caraciolo disse...

Amarelaaaaaaaaaaa!
Bem... frio de 20 graus em Jequié é brincadeira... sinto falta dos 20 graus. Aqui faz 8, 7... até geou outro dia aqui pertinho de São Paulo... o frio-frio da Chapada é mais frio pq é a Chapada e pergunte logo pra seu pai pq...
Aqui, empregado e quase num apartamento só meu, vou sobrevivendo ao mundo sem cor e frio de Sampa... mas o engraçado é que nem penso em voltar pra Salvador. As coisas estão dando certo e, com chuva ou sem chuva, eu vou vencer essa cidade!
beijo enorme e saudade

(ah! e de russa vc só tem a vontade, minha amiga... e também a multiplicidade de se retirar várias vezes de dentro de vc mesma...)

tássia disse...

É, né Bito!! Loira vc não vai me ver nunca, never ever, garanto. E que história é essa de apê só seu? Vou te visitar, hehehehe. Beijo sem queijo =)